As fake news estão a impulsionar as agendas privadas de governos e partidos políticos

As fake news estão a impulsionar as agendas privadas de governos e partidos políticos

Informações falsas ou enganosas que são intencionalmente apresentadas como factos e que frequentemente passam por jornalismo autêntico são chamadas de fake news. Embora a desinformação sempre tenha existido, a sua velocidade e alcance aumentaram na era digital, dando-lhe a capacidade de afetar significativamente a opinião pública. As fake news são mais do que apenas um incómodo na política; podem ser uma ferramenta poderosa. A manipulação de narrativas falsas pode ajudar governos e partidos políticos a vencer eleições, silenciar vozes dissidentes ou obter legitimidade temporária. Este artigo examina os efeitos na democracia das formas como aqueles em posições de poder, ou que lutam por elas, aprenderam a usar as fake news em seu benefício.

As fake news não são novidade. A Alemanha Nazi utilizou propaganda para ganhar controlo na década de 1930, fabricando histórias para responsabilizar minorias pelos sofrimentos do país. As eleições presidenciais dos EUA em 2016 revelaram como campanhas de desinformação, por vezes apoiadas por atores estrangeiros, usaram as redes sociais para influenciar a opinião dos eleitores. Declarações falsas sobre a adesão do Reino Unido à UE, como a famosa alegação de 350 milhões de libras por semana “enviadas para Bruxelas”, ganharam destaque durante o referendo do Brexit nesse mesmo ano. Estes exemplos demonstram como as mentiras têm o poder de moldar discussões e até alterar o curso da história. São frequentemente usadas pelos governos como um mecanismo de controlo, difundindo informações falsas de forma particularmente eficaz. Podem também saturar o espaço informativo com narrativas contraditórias, dificultando ao público distinguir o que é real. Um exemplo disso é a disseminação, por parte da Rússia, de relatos contraditórios sobre as suas atividades na Ucrânia, não necessariamente para convencer as pessoas de uma única “verdade”, mas para semear dúvidas e enfraquecer a confiança nos meios de comunicação independentes.

As fake news são também uma tática barata, mas poderosa, para os partidos políticos, especialmente durante campanhas eleitorais. Desacreditar adversários através da disseminação de rumores falsos sobre as suas vidas pessoais, políticas ou caráter é uma estratégia comum, acelerada pelas redes sociais, onde um rumor falso pode espalhar-se mais rapidamente do que pode ser desmentido por verificadores de factos. Uma tática comum é o uso de narrativas emocionalmente carregadas para mobilizar apoiantes, frequentemente explorando sentimentos como medo, raiva ou patriotismo, que incentivam as pessoas a votar, protestar ou doar dinheiro. As fake news são até usadas por partidos no poder para se manterem no governo. Ao retratar a oposição como desonesta ou incompetente, mesmo sem provas, podem minar a confiança em lideranças alternativas e manter o apoio dos eleitores ao status quo.

Embora governos e partidos políticos possam beneficiar temporariamente das fake news, as suas consequências a longo prazo são graves. Em primeiro lugar, agravam a polarização ao criar “câmaras de eco” nas quais cada grupo vê o outro como malicioso ou ignorante. Em segundo lugar, geram desconfiança nas instituições e nos meios de comunicação, tornando difícil para as pessoas decidir em quem acreditar. Este colapso de confiança ameaça o debate democrático, que depende de um conjunto comum de factos. Ainda assim, aqueles em posições de poder podem obter benefícios a curto prazo, como menor crítica, maior apoio público ou a capacidade de implementar políticas controversas.

Como oferecem a governos e partidos políticos uma forma atraente de manipular narrativas e obter poder, as fake news tornaram-se uma parte inevitável da política contemporânea. No entanto, o seu uso generalizado tem efeitos prejudiciais, incluindo sociedades fragmentadas, confiança deteriorada e democracias frágeis. As sociedades precisam de esforços mais fortes de verificação de factos para refutar rapidamente mentiras, programas de literacia mediática que ensinem os cidadãos a avaliar criticamente a informação e leis que responsabilizem os atores políticos pela desinformação intencional.

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